
Sempre teve um particular jeito com crianças. Os filhos dos seus amigos eram todos seus sobrinhos. Para muitos é e será sempre o Tio Manuel, o qual sempre respeitaram, e viram como um verdadeiro tio, muito presente, brincalhão, educador, e por quem por muita ligação que tivessem, nunca faltaram ao respeito.
No dia a seguir à sua partida, foram muitos os sobrinhos, de sangue e coração, que apareceram para o homenagear com um sorriso, e todos eles, tinham uma história para contar sobre o tio, sempre com uma mensagem de aprendizagem.. O Diogo Rocheta em pleno velório, sentado ao meu lado sorrindo dizia:
"O tio Manuel um dia em conversa sobre a probabilidade de voltar a Lourenço Marques, respondeu que nunca mais lá voltava. Lourenço Marques para ele foi bom por um variado conjunto de factores, lugar, pessoas e momentos, que nunca mais se iriam reunir. Não queria estragar as suas memórias. Percebi que ele tinha razão. Por isso estou a planear uma ida lá com o Antoninho, que reencontrei coincidentemente no Algarve, por os meus filhos sem eu saber serem amigos dos seus filhos. Assim faz sentido "
A vida é feita de pessoas, de convivências, experiências e aprendizagem constante.
O meu pai perguntou-me um dia quantos amigos tinha. Respondi-he "Muitos!!!". Sorriu e voltou a perguntar-me quantos desses muitos eram os meus verdadeiros amigos. Respondi-lhe "Todos!!!" quase indignada. Sorriu novamente e disse-me que o número de amigos nunca ultrapassava o número de dedos que tenho na minha mão. Tudo o resto são conhecidos. Pareceu-me impossível na altura separar amigos e conhecidos, mas o tempo acabou por lhe dar razão.
Porque as amizades não são as que vão e vêm, são aquelas que sempre ficam, independentemente de todo o nosso percurso...
Tudo o resto são bons e saudáveis momentos e pessoas que marcam o nosso percurso em um qualquer lugar neste nosso tempo no mundo.

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