A maioridade



Do meu pai poucas histórias sei desde o momento em que ficou a viver sozinho com a sua mãe, já doente. Com uma peça aqui e outra ali, construo fragmentos de um gigante e infinito mas belo puzzle.
Sobre os seus últimos anos em Portugal antes de ir para Moçambique, sei que foi viver uma temporada para Paço d'Arcos por causa da asma da sua mãe e se casou em 1945 com a Maria Ester de Moura Cabral, tendo vivido na Rua Tenente Espanca.
Em 1946 a sua mãe, minha avó Joana faleceu. Um ano depois casou-se a sua sobrinha Vera Ribeiro Vaz (fotografia maior da página ao lado). Em 1949 separou-se da Maria Ester e foi viver uma temporada para ao pé do hospital dos Capuchos onde conheceu, por partilhar residência o Dr. José Maria Vieira, madeirense, médico ortopedista, que mais tarde veio a ser meu padrinho de baptismo por procuração.
Trabalhou na empresa de chocolates Favorita e algures por volta de 1943 fez um pneumotorax pela deficiente alimentação e excesso de trabalho, coincidindo com a racionalização de alimentos do final da segunda Grande Guerra Mundial. Nunca gostou de falar muito sobre o assunto, mas se achava que falar podia me ensinar alguma coisa dizia-me. Dizia que chegava a comer apenas uma sandwich por dia e terminava quase sempre com a estória do cavalo inglês:

"Diz a lenda que dois amigos britânicos conversavam sobre uma experiência "científica" que um deles estava a realizar com seu cavalo, ao qual cada dia que passava dava um pouco menos de ração, sem que a sua deficiente alimentação se reflectisse no seu desempenho. Quando o seu amigo perguntou sobre a conclusão da experiência o dono do cavalo, lamentando-se disse:- Uma catástrofe... justamente quando o cavalo estava quase sem comer nada, caiu p'ró lado e ... morreu!!!"

Sem comentários: