Iguais


Esta é uma das minhas fotografias favoritas, não pelo meu pai, que não está num dos seus melhores ângulos, mas pela alegria que transmito. A felicidade de estar ao seu colo, numas férias no Algarve, na praia da Rocha.
E claro está, por estarmos vestidos com camisas iguais.
Sempre gostou de me vestir bem, sempre me disse ao longo da minha vida, que qualquer trapo me caía bem. Mas também me soube dizer por palavras ou olhares discretos que o desmazelo não caía nessa expressão.
Adorava ver-me de Kilt, de Trenchs, de saias com duas pregas, com calças de bombazine, de vestidos curtos e por ser comprida, sempre gostou de me ver de sobretudo. Dizia-me que tinha umas pernas lindas, que em baixo eram como as dele e em cima como as da minha mãe. Dizia-me que tinha umas mãos bonitas, compridas de artista. E provalmente a única vez que me mostrei complexada com o meu sinal, calou a complexidade para sempre com a expressão: "Se Deus te marcou, algo em ti bonito encontrou".

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